Back

FMC derruba preços de defensivos para desovar estoques

A crise da FMC parece não ter fim. A gigante americana de defensivos anunciou nesta quinta-feira uma estratégia agressiva para tentar conter o acúmulo de estoques em diversos mercados, incluindo o Brasil, derrubando a receita líquida a patamares ínfimos.

Em um comunicado ao mercado, a companhia informou que está fazendo uma redução nos preços de diversos defensivos, alterando também a estratégia de rebates que mantinha nos Estados Unidos.

Nos EUA, a FMC vai abandonar o modelo de preço de tabela alto compensado por rebates altos oferecidos aos distribuidores. Com isso, vai aproximar o preço bruto do preço efetivamente pago, numa tentativa de competir com os genéricos, que vêm ganhando espaço na agricultura.

Embora a mudança na política de rebates tenha mais relação com a atuação da FMC nos EUA, a dificuldade de competir com os genéricos é um desafio mundial. No Brasil, a rápida ascensão de players como Tecnomyl e Agriconnection é um sintoma disso.

Não à toa, a estratégia de redução de preços praticada pela FMC vai além dos Estados Unidos.

Segundo a companhia, a redução de preços abrange Brasil, Argentina e Canadá. Historicamente, o Brasil é o mais importante para a FMC, respondendo por mais de 20% das vendas.

O cavalo de pau na estratégia da FMC joga luzes sobre uma decisão que ficou mal explicada no mercado brasileiro.

Em setembro, o CEO da FMC para América Latina, Renato Guimarães, anunciou que estava saindo da companhia. O curioso é que o comunicado não foi feito pela empresa, mas pelo próprio executivo em seu LinkedIn, como relatou o AgFeed.

Com as mudanças feitas nesta quinta-feira, a saída de um executivo relevante ganhou uma explicação adicional, embora não esteja claro de quem partiu a decisão.

O mau humor do investidor

Aos investidores, a FMC argumentou que as mudanças anunciadas nesta quinta-feira vão ajudar a companhia a atingir seu “pleno potencial em 2027, 2028 e a longo prazo”, de acordo com o chairman e CEO global da companhia, Pierre Brondeau.

Mas o mercado não digeriu nada bem. Na bolsa de Nova York, as ações da FMC derretem. Os papéis caem mais de 30%. Segundo a Bloomberg, a companhia negocia no menor patamar desde 2003.

A situação também contaminou os investidores do mercado de dívida. De acordo com a Bloomberg, o retorno dos bonds da FMC disparou para 10,5% ao ano, um nível bastante alto para uma companhia que já perdeu o grau de investimento .

O alerta dos bondholders tem razão de ser. Embora a FMC acredite que vá cumprir os covenant de dívida, a companhia vai iniciar negociações com bancos para alterar essas cláusulas e ganhar flexibilidade.

Pelos termos acordados com os bancos que deram uma linha de crédito rotativo de US$ 2 bilhões à FMC, a alavancagem (relação entre dívida e lucro ajustado) não pode ter passado de 6 vezes em 30 de setembro. O balanço do período será divulgado em 29 de outubro.

Outro risco para a FMC é a nota de crédito. Se o rating for rebaixado por duas agências de classificação de risco (S&P, Fitch ou Moody’s), a companhia teria de dar praticamente todos os ativos em garantia aos bancos.

Nesse ambiente, os investidores parecem cansados da dificuldade que a FMC tem em encontrar um caminho. Vale lembrar que as medidas desta quinta-feira são apenas mais uma tentativa.

Nos últimos anos, foram várias tentativas. Neste ano, por exemplo, a FMC vendeu operações na Índia e, em julho, fez um acordo para levantar US$ 400 milhões ao vender 20% do capital para o grupo belga Tessenderlo.

Sem rumo?

Uma fonte que conhece de perto o mercado agrícola, especialmente no Brasil, reagiu com espanto às decisões da FMC, que podem ser improdutivas e piorar o quadro.

“Baixar preços não necessariamente gera demanda imediata. Reduzir preços sem reduzir custo de produção não funciona”, disse.

Para essa mesma fonte, a FMC perdeu criatividade e não consegue reinventar sua estratégia de acesso a mercado porque o pipeline de inovações se esgotou.

Sobrou até para o conselho de administração. “É incompreensível o board manter o CEO que tem provado a incapacidade de mudar a direção e formar um time voltado ao mercado”.

***

Em razão dos descontos aplicados nos preços dos defensivos, a FMC reduziu a projeção para os resultados no terceiro trimestre.

A expectativa é fazer uma receita líquida entre US$ 65 milhões e US$ 125 milhões, muito aquém da projeção anterior, que ficava entre US$ 840 milhões e US$ 900 milhões.

O Ebitda ajustado, por sua vez, deve ficar negativo, entre US$ 510 milhões e US$ 565 milhões. Anteriormente, a FMC projetava um Ebitda positivo no terceiro trimestre, entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões. Na bolsa de Nova York, a FMC está avaliada em US$ 820 milhões

Fonte Link

The full article is being collected. Available text is shown for now.

Back
Share this story

Get the daily newsletter →

Ask globalread.info

AI news & website helper
What would you like to explore?

I can find stories, explain headlines, or help you use globalread.info.

AI can make mistakes. Check the linked sources. Questions are sent to OpenAI.