Faculdades no exterior que aceitam o Enem: lista por país e requisitos

Universidades de Portugal, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e França aceitam a nota do Enem, mas cada uma define as próprias regras. Em Portugal, o Inep mantém acordos com dezenas de instituições, e Coimbra e Lisboa aceitam o exame em seleção própria. Fora de países lusófonos, o Enem costuma vir junto com diploma do Ensino Médio e prova de idioma.
A nota do Enem é a principal porta de entrada para o Ensino Superior no Brasil, pelo Sisu, pelo ProUni e pelo Fies. O que muita gente não sabe é que ela também pode abrir caminho para uma graduação fora do país. A seguir, você vê quais países e universidades no exterior aceitam o exame, o que cada uma pede além da nota, quanto custa e como se preparar.
Como funciona estudar no exterior com a nota do Enem?
Não existe um sistema único, como o Sisu, para usar a nota do Enem fora do Brasil. Cada universidade estrangeira decide se aceita o exame, para quais cursos, com que nota mínima e em que calendário. Em alguns casos, a nota do Enem é o principal critério de seleção. Em outros, ela entra como comprovação de que o estudante concluiu o Ensino Médio com bom desempenho e se soma a outras exigências.
Portugal é o caso mais estruturado. Desde 2014, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) firma acordos com instituições portuguesas, que passam a consultar diretamente o desempenho dos candidatos brasileiros. Nos outros países, o caminho costuma ser o processo de admissão internacional da própria universidade, em que o Enem aparece na lista de exames aceitos para estudantes vindos do Brasil.
O que as universidades pedem além da nota
A nota raramente é o único requisito. Na maioria das instituições, o candidato também precisa apresentar o Certificado de Conclusão do Ensino Médio e o histórico escolar , muitas vezes traduzidos. Fora de Portugal, quase sempre é exigida a comprovação do idioma em que as aulas são dadas , por meio de testes de proficiência . Algumas universidades pedem ainda carta de motivação, entrevista ou um ano preparatório antes da graduação.
Como essas regras mudam de um ano para outro, a fonte mais segura é sempre a página de admissão internacional da universidade escolhida. As informações deste texto foram conferidas nas páginas oficiais em outubro de 2026.
Qual nota do Enem é preciso para estudar fora
Não há uma nota única. Ou seja, cada instituição define um mínimo, que pode variar por curso. A Universidade de Coimbra, por exemplo, aceita candidaturas a partir de 500 pontos, o equivalente a 100 valores na escala portuguesa de 0 a 200, e exige 700 pontos para Medicina e Medicina Dentária. Esses números são apenas o piso para se inscrever; em cursos concorridos, a classificação final tende a ficar bem acima deles.
Também importa saber quais áreas do Enem contam. Muitas universidades portuguesas usam a nota de uma ou duas áreas ligadas ao curso, e não a média geral. Se você ainda tem dúvidas sobre como a pontuação é formada, vale entender como a nota do Enem é calculada .
Quais países aceitam a nota do Enem
O quadro abaixo resume o que costuma ser pedido em cada destino. Os detalhes de cada país vêm em seguida.
País Exemplos de instituições O que costuma ser pedido além do Enem Portugal Coimbra, Lisboa e instituições conveniadas ao Inep Diploma do Ensino Médio e nota mínima por curso; sem prova de idioma Estados Unidos NYU, Drexel Diploma, teste de inglês e documentos da escola Canadá University of Toronto Certificado do Ensino Médio e comprovação de inglês Reino Unido Kingston, Bristol, Glasgow Inglês e, em várias universidades, um ano preparatório Irlanda University College Dublin, UCC Certificado do Ensino Médio, Enem nos cursos concorridos e inglês França INSA Lyon, ENS Aprovação prévia em universidade brasileira, francês e histórico escolar Fonte: tabela elaborada pelo autor com base nos dados fornecidos ao longo do texto; atualizada em outubro de 2026.
Veja a seguir detalhes sobre as instituições que aceitam o Enem:
Portugal
Portugal é o destino com mais portas abertas para quem tem nota do Enem, e tem uma vantagem óbvia: as aulas são em português, então não há prova de idioma. O programa Enem Portugal começou em 26 de maio de 2014, com o acordo assinado com a Universidade de Coimbra. Pelos convênios, cada instituição define as regras e os pesos das notas, e os acordos valem por cinco anos, podendo ser renovados.
Universidade de Coimbra
A Universidade de Coimbra aceita o Enem do ano da candidatura e dos cinco anos anteriores, desde que o candidato tenha concluído o Ensino Médio. A nota mínima é de 500 pontos para a maioria dos cursos e de 700 pontos para Medicina e Medicina Dentária. É possível se candidatar a até dois cursos de licenciatura ou de mestrado integrado, e a universidade publica uma tabela que indica quais áreas do Enem contam para cada curso. As informações para brasileiros ficam reunidas na página do Enem da Universidade de Coimbra .
Universidade de Lisboa
Na Universidade de Lisboa, a nota do Enem pode ser usada por quem concluiu o Ensino Médio no Brasil, desde que o exame tenha sido feito no ano da candidatura ou nos três anos anteriores. A nota mínima e as áreas exigidas são definidas por cada faculdade da universidade, e a inscrição é feita on-line na plataforma da escola que oferece o curso. Os detalhes estão no portal do estudante internacional da ULisboa .
A Universidade de Lisboa é pública e está situada na capital de Portugal (Imagem: Adobe Stock)
Instituições com acordo com o Inep
Além de Coimbra e Lisboa, que têm seleção própria para estudantes internacionais, há as instituições com convênio firmado com o Inep. Em janeiro de 2026, a página oficial do programa listava 26 instituições:
Universidade Nova de Lisboa (acordo em renovação)
Universidade do Minho
Universidade de Aveiro
Universidade da Beira Interior
Universidade Católica Portuguesa
Instituto Politécnico do Porto
Instituto Politécnico de Coimbra
Instituto Politécnico de Leiria
Instituto Politécnico de Bragança
Instituto Politécnico de Viseu
Como os acordos vencem e são renovados ao longo do tempo, confira a lista atualizada no site do Inep antes de se candidatar.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o Enem não substitui todo o processo de admissão, mas algumas universidades o aceitam no lugar de exames como o SAT e o ACT para estudantes brasileiros. A Universidade de Nova York (NYU) está entre elas e pede, além da nota, o certificado do Ensino Médio, um teste de inglês e a confirmação da nota pela escola. A Drexel University também lista o Enem entre os exames nacionais aceitos. Lá, a candidatura costuma incluir redações próprias, cartas de recomendação e atividades extracurriculares, então o planejamento começa bem antes do último ano.
Canadá
A University of Toronto , uma das universidades mais conhecidas do Canadá, indica na página de requisitos por país que o estudante brasileiro deve apresentar o Certificado de Conclusão do Ensino Médio e o Enem ou um vestibular. Como as aulas são em inglês, também é preciso comprovar o idioma, conforme as regras para estudantes internacionais.
Reino Unido
No Reino Unido, as regras variam bastante. A Universidade de Oxford, a mais antiga do mundo de língua inglesa, não aceita o Enem como forma de ingresso. Já a Kingston University aceita brasileiros com a nota do Enem, desde que atinjam o mínimo definido para cada curso, além de exigir inglês e diploma do Ensino Médio.
Em outras instituições, o Enem abre caminho para um ano preparatório. A Universidade de Bristol pede a nota do exame, o International Foundation Programme e certificado de inglês. A Universidade de Glasgow , fundada em 1451 e a quarta mais antiga do Reino Unido, também trabalha com ano preparatório e prova de idioma. Outras que têm páginas específicas para brasileiros são a Birkbeck, University of London , a Loughborough University e a Nottingham Trent University .
Na Universidade de Glasgow, as taxas de ensino para estudantes internacionais começam em 17.650 libras por ano, que equivalem a R$ 112 mil aproximadamente (Imagem: Adobe Stock)
Irlanda
Na University College Dublin (UCD) , o brasileiro precisa do Certificado de Conclusão do Ensino Médio, e o Enem é exigido nos cursos mais concorridos, com pontuação mínima que varia de curso para curso. A universidade também pede comprovação de alto nível de inglês. A University College Cork e o National College of Ireland também têm requisitos específicos para estudantes do Brasil.
França
Na França, o Enem sozinho não costuma bastar. Instituições como o INSA Lyon e a École Normale Supérieure pedem que o candidato já tenha sido aprovado em uma universidade brasileira reconhecida pelo MEC, além de domínio do francês e bom histórico escolar.
Quanto custa estudar fora com o Enem
Este é o ponto que mais pesa na decisão. Estudantes internacionais pagam anuidade mesmo em universidades públicas estrangeiras. Em Coimbra, por exemplo, a anuidade das licenciaturas para estudantes internacionais parte de 3 mil euros, e a de Medicina chega a 18 mil euros, segundo a tabela da própria universidade. No Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá, as taxas costumam ser bem mais altas e são cobradas na moeda local.
Os acordos do Enem Portugal não envolvem financiamento do governo brasileiro, e programas como Fies e ProUni valem apenas para instituições privadas brasileiras participantes. Por isso, quem vai estudar fora costuma combinar recursos da família, bolsas oferecidas pela própria universidade e financiamento privado. Some à conta o custo de vida no país, como moradia, alimentação, transporte, seguro-saúde e visto de estudante. Para entender as opções no Brasil, veja como usar a nota do Enem .
Como se preparar para estudar no exterior com o Enem
Quem quer estudar fora precisa planejar com pelo menos um ano de antecedência, porque os calendários das universidades estrangeiras não coincidem com os do Brasil. Um roteiro que funciona:
Escolha dois ou três destinos e leia as páginas de admissão internacional de cada universidade, anotando nota mínima, áreas do Enem exigidas e documentos.
Monte um calendário com as datas de candidatura de cada instituição e as do próprio Enem. O calendário dos vestibulares ajuda a encaixar tudo no ano.
Defina sua meta de nota com folga em relação ao mínimo e organize os estudos para chegar lá, com simulados para medir a evolução.
Prepare o idioma , se o destino exigir. Testes de proficiência pedem meses de preparação, e você pode começar estudando inglês para o Enem .
Separe os documentos com antecedência: certificado e histórico do Ensino Médio, boletim do Enem, passaporte e, quando pedido, traduções.
Faça as contas do custo total e pesquise bolsas e formas de financiamento antes de se inscrever.
Na prática, o passo que mais faz diferença é o terceiro. Uma nota alta amplia o número de universidades e cursos possíveis, tanto no exterior quanto no Brasil, e mantém o plano B aberto. Se você está começando agora, veja como se organizar para estudar para o Enem .
Perguntas frequentes sobre estudar fora com o Enem
Dá para usar uma nota antiga do Enem para estudar fora?
Depende da universidade. Coimbra aceita o Enem do ano da candidatura e dos cinco anos anteriores; a Universidade de Lisboa aceita o do ano da candidatura e dos três anteriores. Em outras instituições, a regra pode ser diferente, então confira a página de admissão antes de se inscrever.
Preciso fazer prova de inglês para estudar fora com o Enem?
Para Portugal, não, porque as aulas são em português. Nos Estados Unidos, no Canadá, no Reino Unido e na Irlanda, a comprovação de inglês costuma ser obrigatória, em geral por testes de proficiência reconhecidos internacionalmente. Na França, o idioma exigido é o francês.
Dá para fazer Medicina no exterior com a nota do Enem?
Em Portugal, sim: a Universidade de Coimbra aceita o Enem para o mestrado integrado em Medicina, com nota mínima de 700 pontos e anuid
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