Entidades criticam fim da escala 6×1 e alertam sobre demissões e inflação
BRASIL – O setor produtivo expressou forte insatisfação com a recente aprovação, pelo Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6×1 e prevê a diminuição gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Indústrias, comerciantes e prestadores de serviços manifestaram preocupação com as possíveis consequências dessa mudança, como demissões, aumento da inflação e complicações no funcionamento de serviços essenciais.
Reação da CNI e Fiesp
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) questionaram os possíveis impactos econômicos da PEC. Eles defendem que a discussão sobre os efeitos da medida deve ser mais aprofundada.
Ricardo Alban, presidente da CNI, argumentou que a proposta deve ser reavaliada, levando em consideração as realidades econômicas e produtivas do Brasil. Ele alertou que a redução da carga horária pode afetar a competitividade da indústria, aumentar os custos de produção e, consequentemente, elevar os preços para os consumidores.
Alban também criticou a maneira como a votação foi conduzida, afirmando que os impactos da proposta não foram debatidos adequadamente com a sociedade. Para ele, aprovar a mudança em um período eleitoral é um retrocesso para a economia, especialmente em um contexto de baixa produtividade e competitividade no mercado internacional.
Preocupações da Abrasel
A Abrasel também levantou preocupações sobre o fim da escala 6×1. O presidente-executivo, Paulo Solmucci, classificou a decisão como potencialmente prejudicial, principalmente para setores que operam diariamente. Ele informou que cerca de 15 milhões de trabalhadores estão atualmente nessa escala, e a mudança exigiria a contratação de aproximadamente 3 milhões de novos funcionários para garantir a continuidade dos serviços.
Solmucci questionou a disponibilidade dessa mão de obra e alertou sobre os desafios que os empresários enfrentarão para manter o atendimento adequado à população. Essa preocupação foi compartilhada por Francisco Balestrin, representante de hospitais e clínicas de São Paulo, que enfatizou a necessidade de regras específicas para o setor de saúde.
Fiesp e os riscos da informalidade
A Fiesp também se manifestou sobre a PEC, afirmando que seu fim pode levar ao aumento da informalidade no mercado de trabalho e prejudicar o orçamento das famílias. O presidente da entidade, Paulo Skaf, criticou a aprovação da proposta sem um debate abrangente sobre suas consequências econômicas.
Skaf destacou a importância de discutir mudanças significativas como essa fora do calendário eleitoral para evitar que decisões sejam influenciadas por disputas políticas. Ele também ressaltou a necessidade de avaliar os impactos da redução da jornada em setores fundamentais, como saúde, educação, transporte e supermercados.
A Fiesp concluiu que é essencial analisar as consequências das novas regras trabalhistas antes de sua implementação.
Fonte: Imirante.com
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