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Sazonalidade no varejo: o que é e como gerir as vendas

Sazonalidade no varejo é a variação de vendas que se repete todos os anos em períodos previsíveis do calendário, como Natal, Dia das Mães e Black Friday. Gerir esse ciclo significa planejar estoque, equipe e capital de giro antes do pico de demanda e preservar caixa para os meses de menor movimento.

O Dia das Mães de 2026 deve movimentar R$ 14,47 bilhões no comércio brasileiro, alta de 1,5% sobre 2025, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada em maio. Para o Natal de 2025, a entidade estimou R$ 72,71 bilhões em vendas, o maior volume para a data desde 2014.

A mesma projeção do Dia das Mães indica que os segmentos dependentes de financiamento devem vender 4,4% menos que no ano anterior. Para Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, a retração reflete a piora das condições de crédito, que elevou inadimplência e endividamento das famílias.

O que é sazonalidade no varejo

Nas notas metodológicas da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), o IBGE descreve a série de vendas como a combinação de três componentes. A tendência reflete o movimento de longo prazo, a sazonalidade reúne as oscilações que se repetem dentro de cada ano e o componente irregular concentra eventos imprevisíveis.

Segundo o Sebrae, o varejo está entre as atividades mais afetadas pela sazonalidade, e a variação prevista orienta decisões que vão do nível de estoque à contratação de pessoal. A entidade também aponta efeito sobre a oferta de mão de obra em empresas que dependem do calendário.

Como o IBGE separa a sazonalidade das vendas do varejo

O IBGE aplica o ajuste sazonal com o software X-13 ARIMA-SEATS, desenvolvido pelo U.S. Census Bureau. Em notas técnicas, o instituto informa que o modelo considera efeitos sazonais, o número de dias úteis de cada mês e feriados móveis como Carnaval, Páscoa e Corpus Christi.

Por isso a comparação de um mês com o anterior só faz sentido na série com ajuste. Em agosto de 2025, as vendas do varejo subiram 0,2% sobre julho na série ajustada e 0,4% sobre agosto de 2024 na série sem ajuste, segundo a PMC.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE, explicou na divulgação daquele resultado que março de 2025 marcou o pico da série com ajuste sazonal. Sem essa correção, o desempenho de cada mês ficaria misturado ao efeito das datas comemorativas.

Datas sazonais que concentram as vendas do varejo

O Natal lidera o calendário. Na projeção da CNC para 2025, os supermercados responderiam por R$ 31,51 bilhões, ou 43,3% do total previsto, seguidos por lojas de vestuário e calçados, com R$ 22,82 bilhões (31,4%).

A CNC trata o Dia das Mães como a segunda data mais relevante do comércio, atrás do Natal. Em 2026, moda, calçados e acessórios, somados a farmácias, perfumarias e lojas de cosméticos, devem responder por R$ 8,94 bilhões, mais da metade das vendas previstas pela entidade.

No e-commerce, a Black Friday de 2025 rendeu R$ 4,76 bilhões no dia 28 de novembro, alta de 11,2% sobre 2024, segundo a Confi Neotrust. O número de pedidos subiu 28%, para 8,69 milhões, enquanto o tíquete médio caiu 12,8%, para R$ 553,60.

A Confi Neotrust também registrou mudança no desenho do pico. A véspera da Black Friday faturou R$ 2,28 bilhões, alta de 34,1%, e o sábado seguinte recuou 10,7%. Léo Homrich Bicalho, head de negócios da empresa, atribuiu o resultado à concentração das compras nas primeiras 48 horas do evento.

Como gerir a sazonalidade no varejo com planejamento de estoque

O Sebrae recomenda analisar o histórico de vendas mês a mês, junto com o estoque necessário para atender cada período, e planejar compras e vendas com pelo menos seis meses de antecedência. Esse horizonte permite identificar em quais meses será preciso formar reserva de caixa.

O erro de dimensionamento pesa nos dois sentidos. Levantamento da AGP Pesquisas divulgado em dezembro de 2025, com base em dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), aponta que a ruptura de estoque responde por 42% das perdas de vendas no varejo brasileiro.

Na outra ponta, o excesso de mercadoria comprada para o pico imobiliza recursos que farão falta nos meses de baixa. O Sebrae orienta que o plano anual integre vendas, estoque e pessoal, para que a compra de cada data seja calculada a partir da demanda registrada nos anos anteriores.

Sazonalidade, equipe temporária e capital de giro no varejo

A contratação temporária acompanha o calendário. A CNC estimou 112,6 mil vagas temporárias para o Natal de 2025, cerca de 5% acima das 107,1 mil de 2024, com remuneração média de R$ 1.983,54. Os empresários previam efetivar 11% desses trabalhadores.

O capital de giro segue o mesmo ciclo. Segundo o Sebrae, nos períodos de pico a empresa precisa manter mais capital de giro para cobrir o aumento das despesas operacionais, e parte desse valor deve ficar reservada para quando as vendas e o fluxo de caixa desacelerarem.

No Dia das Mães de 2026, a retração projetada pela CNC para segmentos que vendem a prazo indica que o custo do crédito também altera o tamanho de cada pico de vendas.

FAQ

O que é sazonalidade no varejo?

Sazonalidade no varejo é a variação de vendas que se repete todos os anos nos mesmos períodos do calendário. Ela aparece em datas como Natal, Dia das Mães e Black Friday, em estações do ano e em feriados. O IBGE trata a sazonalidade como um dos três componentes da série de vendas do comércio, ao lado da tendência de longo prazo e dos eventos irregulares. Segundo o Sebrae, conhecer esse padrão orienta decisões de estoque, contratação e capital de giro.

Quais são as principais datas sazonais do varejo brasileiro?

As principais datas sazonais do varejo brasileiro são Natal, Dia das Mães e Black Friday. A CNC projetou R$ 72,71 bilhões em vendas para o Natal de 2025 e R$ 14,47 bilhões para o Dia das Mães de 2026, que a entidade considera a segunda data mais relevante do comércio. No e-commerce, a Black Friday de 2025 faturou R$ 4,76 bilhões no dia 28 de novembro, segundo a Confi Neotrust.

Como se preparar para a sazonalidade nas vendas?

Para se preparar para a sazonalidade nas vendas, o Sebrae recomenda analisar o histórico mês a mês e planejar estoque e vendas com pelo menos seis meses de antecedência. O plano deve integrar compras, equipe e caixa, com reserva financeira para os meses de baixa. O dimensionamento correto evita ruptura, que responde por 42% das perdas de vendas no varejo segundo a AGP Pesquisas, e também evita excesso de mercadoria parada depois do pico.

O que significa ajuste sazonal nas vendas do varejo?

Ajuste sazonal nas vendas do varejo é o método estatístico que remove das séries o efeito das datas e estações que se repetem todos os anos. O IBGE aplica o modelo X-13 ARIMA-SEATS na Pesquisa Mensal de Comércio, considerando dias úteis e feriados móveis como Carnaval e Páscoa. Com o ajuste, é possível comparar um mês com o anterior. Sem ele, a comparação correta é com o mesmo mês do ano anterior.

Como a sazonalidade afeta o capital de giro?

A sazonalidade afeta o capital de giro porque o varejista compra estoque e contrata equipe antes de receber pelas vendas do pico. Segundo o Sebrae, a empresa precisa manter mais capital de giro nos períodos de alta para cobrir o aumento das despesas operacionais. Parte desse valor deve ficar reservada para os meses em que vendas e fluxo de caixa desaceleram, o que exige planejamento financeiro anual vinculado ao calendário de datas comemorativas.

Leia também:

Gestão de estoque no varejo: o que é, como fazer e por que R$ 36,5 bilhões em perdas dependem disso

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Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

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