SPFW N61: Martins

“Dessa vez vai ter trilha sonora, tá?”, disse Tom Martins , aos risos, horas antes do desfile da sua marca, a Martins , na São Paulo Fashion Week N61. Na temporada passada , a apresentação aconteceu em silêncio, sem música. O tom contemplativo se estendeu às roupas, todas em tons de preto, azul e branco e com decorações mínimas. Agora, ele vai no sentido oposto, sem medo e sem vergonha de assumir suas paixões e inspirações.
Tom se baseou em cinco coleções de estilistas internacionais que exerceram influências formativas em sua vida: o verão 2014 de alta-costura da Maison Margiela (com direção criativa de Matthieu Blazy), o verão 2002 da Dior (assinado por John Galliano), o verão 1993 da Perry Ellis (a famosa coleção grunge de Marc Jacobs), o inverno 2016 masculino de Vivienne Westwood e o inverno 2009 de Alexander McQueen.
Martins, SPFW N61. Foto: Zé Takahashi/Agência Fotostie
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Quem for atrás das referências vai identificar a origem de cada peça. As estampas xadrez e de frutas de Marc Jacobs para Perry Ellis, as roupas esportivas de seda transparente da Dior de Galliano, o pied de poule do McQueen, a desconstrução punk e fluida de Vivienne, a reutilização de aviamentos, objetos variados e tecidos vintage de Margiela. É um exercício interessante e até um pouco divertido (recomendo).
Depois de analisar cada coleção, Tom selecionou o que mais gostava e o que era viável de (re)produzir, adaptou ao estilo da própria etiqueta (com proporções exageradas, recortes, patchworks, mistura de tecidos, decorações mil, estampas bem-humoradas e muitos acessórios) e misturou tudo com ajuda dos stylists Cacau Francisco e Anuro Anuro. O resultado é seu desfile mais visualmente rico.
Martins, SPFW N61. Foto: Zé Takahashi/Agência Fotostie
Martins, SPFW N61. Foto: Zé Takahashi/Agência Fotostie
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Em vez de se limitar à simples interpretação das roupas, ele aproveitou para experimentar novas formas de produzir e incorporar materiais pouco trabalhados na marca. Raramente vemos tecidos delicados ou de festa nas coleções da Martins. Na atual, há organza, seda, brocados, rendas bordadas – quase todos provenientes de estoque morto. Em algumas peças, eles são costurados sobre outros mais usuais, como algodão e denim. Os jeans, aliás, também foram garimpados pelo estilista e reaproveitados com técnicas de upcycling.
Assumir as referências permitiu ao estilista um tanto de liberdade e diversão ao longo do processo. Tom sabia que viriam questionamentos sobre cópia, autoria e originalidade, mas não parece ter se preocupado com isso. Só fez o que sentia vontade, sem pensar em opiniões alheias. E deu certo, evoluiu. Mais gente poderia seguir essa fórmula.
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