Fim da escala 6×1 pode gerar inflação e elevar custos, alerta especialista
A recente aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, que altera a jornada de trabalho 6×1, trouxe ao centro do debate nacional as consequências econômicas da medida. Com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, a mudança na legislação trabalhista promete transformar a dinâmica de milhões de profissionais no país, gerando expectativas sobre a sustentabilidade operacional das empresas diante da nova realidade.
O contador e professor André Luis Barbosa , em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar , da Antena 1 Salvador, analisou os impactos estruturais dessa transição. Segundo o especialista, o cenário atual reflete uma mudança de comportamento iniciada na pandemia, onde a busca por qualidade de vida e autonomia tem pautado as novas relações de trabalho e o aumento do empreendedorismo.
Impactos econômicos e o risco de inflação
O principal alerta feito por Barbosa diz respeito ao repasse de custos operacionais. Setores que dependem intensamente de mão de obra, como o varejo, restaurantes e clínicas médicas, enfrentarão desafios imediatos para reorganizar escalas ou investir em automação para suprir a redução da jornada.
O especialista enfatiza que o impacto financeiro será sentido, em última instância, pelo consumidor final. “Objetivamente com números, o próprio trabalhador vai pagar por essa circunstância, porque vai encarecer os preços, há uma tendência de ter uma inflação inevitavelmente, porque o empregador vai ter um valor a mais nesse processo de custo e deve repassar”, afirmou Barbosa.
Desafios para o mercado de trabalho
Dados apresentados durante a entrevista indicam que, dos cerca de 45 milhões de trabalhadores celetistas no Brasil, aproximadamente 15 milhões estão atualmente inseridos na escala 6×1. A transição para um novo modelo exige, portanto, cautela para evitar que a medida resulte em desemprego ou precarização em setores menos capitalizados.
Para mitigar esses efeitos, Barbosa defende a implementação de legislações complementares que ofereçam um tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas. O objetivo seria preservar a viabilidade desses negócios, que possuem margens de lucro mais estreitas e menor capacidade de absorver aumentos abruptos nos custos com pessoal.
O papel do governo na transição
O professor destacou a necessidade de uma atuação ágil do governo federal para equilibrar os aspectos técnicos e emocionais da pauta. A expectativa do mercado agora se volta para a eficácia das leis complementares que deverão regulamentar os detalhes da transição, garantindo que a proteção ao trabalhador não comprometa a estabilidade da economia nacional.
Para mais informações sobre o cenário econômico brasileiro, consulte o portal oficial do Ministério da Economia .
Fonte: bahianoticias.com.br
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