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Curativo líquido da Unicamp acelera cicatrização

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Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, criaram um curativo líquido que, ao ser aplicado, forma uma camada protetora sobre feridas em até 45 segundos.

Esse novo curativo substitui o uso tradicional de gazes e ataduras, e em testes iniciais demonstrou reduzir pela metade o tempo de cicatrização.

A tecnologia foi desenvolvida na Faculdade de Engenharia Química e licenciada para a empresa Dermbio Biotech, uma startup ligada à Unicamp.

O produto ainda não está à venda, pois precisa passar por mais testes de segurança e eficácia em humanos, além de cumprir as exigências da Anvisa.

O curativo líquido protege a ferida sem precisar ser trocado com frequência, evitando que o curativo grude na pele em cicatrização e cause dor ou prejuízo ao tecido.

Aplicado diretamente sobre a lesão, como um spray, o produto cria uma membrana transparente e flexível que protege a área e favorece o crescimento das células responsáveis pela regeneração.

A inovação utiliza um polímero chamado PLA (poliácido lático), produzido a partir do ácido láctico. Embora esse material já seja usado em medicina, como em fios de sutura, sua importação é cara, segundo Ana Flávia Pattaro , doutora em engenharia química pela Unicamp e uma das desenvolvedoras do curativo.

A equipe buscou desenvolver, no Brasil, um processo para produzir esse polímero. Porém, os solventes usados para processá-lo costumam ser tóxicos, impossibilitando seu uso direto na pele lesionada.

Para resolver isso, criaram uma fórmula com solventes não tóxicos, tornando o produto seguro para aplicação sobre a pele. Essa inovação gerou uma nova patente para a equipe.

A membrana formada é uma rede tridimensional de fibras que permite às células responsáveis pela cicatrização aderir e crescer, sendo absorvida pelo corpo ao longo do processo de recuperação.

Rubens Maciel Filho , professor da Unicamp e coordenador da pesquisa, explica que o objetivo é ajudar o corpo a fazer melhor o que já sabe fazer, acelerando a recuperação natural das lesões.

O curativo é resistente à água corrente, mas pode ser removido com fricção e água e sabão. Sua flexibilidade permite que se ajuste aos movimentos de regiões do corpo como joelhos, cotovelos e dedos, reduzindo desconfortos comuns nos curativos tradicionais.

Como não precisa ser trocado regularmente, espera-se diminuir traumas causados pela retirada dos curativos, diminuir a manipulação da ferida e evitar a geração excessiva de resíduos biológicos, reduzindo também o risco de contaminação.

Nos testes pré-clínicos, realizados em animais, observou-se diminuição de aproximadamente 50% no tempo de cicatrização em comparação com curativos convencionais. Além disso, os tecidos se recuperaram adequadamente, não se tratando apenas de fechamento rápido da ferida.

Os resultados ainda aguardam publicação em revista científica internacional. A equipe está finalizando uma segunda fase de testes pré-clínicos com expectativa de avançar até o fim de 2026 para iniciar estudos clínicos em humanos.

Ana Flávia Pattaro ressalta que, apesar de o polímero já ser conhecido para aplicações médicas, é fundamental avaliar o curativo específico, sua fórmula, modo de aplicação e eficácia em diversos tipos de feridas.

O curativo pode ser usado em diferentes situações, como feridas por pressão, conhecidas como escaras, que acometem pessoas acamadas, feridas do pé diabético, queimaduras e lesões por acidentes, desde que sua segurança e eficácia sejam comprovadas para cada caso.

Além disso, o produto tem potencial para uso veterinário, já que sua película resistente à água dificulta que animais removam o curativo ou prejudiquem a ferida lambendo-a.

Próximos passos

A Dermbio Biotech trabalha para transformar essa pesquisa em um produto comercial. Além do curativo, desenvolveram um aplicador próprio e estruturaram toda a produção no Brasil para manter preços competitivos.

Rubens Maciel Filho afirma: “Nosso objetivo é transformar ciência em tecnologia, tecnologia em produto, produto em bem-estar e ganhos econômicos para o país”.

Os pesquisadores também estudam uma versão em aerossol para venda em farmácias, que pode ter desempenho inferior, mas ainda beneficiar o tratamento de feridas.

O desenvolvimento conta com apoio financeiro da Fapesp e suporte para licenciamento pela Agência de Inovação Inova Unicamp.

The full article is being collected. Available text is shown for now.

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