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O legado de cada Círio

Há encontros que começam muito antes de acontecer e continuam mesmo depois de terminados. No Círio de Nazaré, eles podem atravessar fronteiras, reunir famílias que vivem longe umas das outras, renovar promessas e criar memórias que serão contadas por muitos anos. Quando a Berlinda passa pelas ruas de Belém e a multidão acompanha a imagem da padroeira, cada pessoa vive uma experiência particular. Juntas, essas histórias ajudam a explicar por que o Círio permanece tão presente na vida de quem participa dele.

Para a paraense Camila Barbosa, que mora na Itália, estar em Belém durante a festividade é uma forma de manter vivo um vínculo que começou na infância. A mãe a levava para acompanhar a procissão e, mesmo morando fora do Brasil, ela procura voltar todos os anos. A distância não diminui a devoção; ao contrário, torna o reencontro ainda mais significativo.

“Eu sou devota de Nossa Senhora de Nazaré. Desde a minha infância, a minha mãe sempre me trouxe para participar do Círio. Eu moro fora do Brasil, então, para mim, é uma emoção muito grande, que não tem como explicar. Eu sempre procuro vir nessa época para participar da festa. É em agradecimento à minha vida, à minha família, aos meus amigos e às pessoas que me rodeiam”, conta.

Se para pessoas como Camila o Círio representa a lembrança e reforço da própria história, para quem participa pela primeira vez, a experiência pode mudar a dimensão de tudo o que já se conhecia sobre a celebração. É o caso de Rodrigo Orair, integrante do Conselho de Administração do Banco da Amazônia. Mineiro, acostumado às romarias e manifestações religiosas de seu estado, ele chegou a Belém com referências que não foram suficientes para antecipar o que encontraria.

“Eu senti a energia desde o momento em que desci do avião e vi aquela quantidade de familiares esperando seus entes queridos. Sou de Minas Gerais, um estado que também tem muitas romarias e eventos religiosos, mas nunca tinha visto algo tão grandioso assim na minha vida”, relata.

A força desses encontros também aparece nas histórias de quem chega de outras partes da Amazônia. É o caso do agropecuarista Carlos Castilho, de Porto Velho (RO), que sempre se informava sobre o Círio pela televisão e pelas redes sociais. Neste ano, em Belém, viu a procissão passar bem a sua frente pela primeira vez.

“Estou encantado de ver a fé das pessoas. É muito bonito! Tem gente aqui da Amazônia inteira e é bem prazeroso estar aqui, conhecendo pessoas de áreas e localidades diferentes, mas todos amazônidas”, afirma Castilho.

Fé que atravessa gerações

E se o Círio é feito de encontros, no caso de quem mora em Belém, o termo tem uma dimensão ainda maior. É o período também dos reencontros e de uma tradição que se renova a cada geração. Um exemplo é a técnica em saúde bucal Dibiany Santos, que acompanhou a procissão ao lado dos pais e da filha, Beatriz Luz, de apenas sete meses. “Eu estou aqui com a minha mãe, meu pai e a Beatriz. No Círio passado, ela ainda estava na minha barriga. Hoje, viemos agradecer o nascimento desta menina linda”, conta Dibiany. “É muito importante que as crianças vivam esta emoção e levem esta tradição para a vida delas, para que sempre continue nas próximas gerações”, completa Cartiane Martins, engenheira agrônoma que em Tailândia (PA), e, sempre que vem a Belém para ver a procissão, se emociona com a fé dos devotos, as músicas e a passagem da berlinda com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Agradecimento pelas conquistas

A procissão mariana também é um momento de agradecer pelas conquistas alcançadas e celebrar parcerias de longa data que ajudam a desenvolver a região. Otávio Ribeiro, diretor da Alubar, é cliente do Banco da Amazônia há mais de 30 anos e destaca a importância dessa união desde os primeiros passos da empresa.

“Essa parceria com o Banco da Amazônia e essa participação aqui no Círio já não vêm de hoje. Eu sempre participo, e é muito gratificante para nós da família Alubar estarmos presentes neste evento tão importante para o nosso Pará. Participar desse momento é uma verdadeira renovação: assistir a Nossa Senhora de Nazaré passar tão perto da gente é algo realmente muito emocionante. Temos a Nossa Senhora como nossa parceira de fé e de renovação”, citou o empresário.

Força e fé que sempre impressionam

No Círio 2026, mais de duas mil pessoas assistiram a Trasladação e o Círio da arquibancada e camarote montados pelo Banco da Amazônia na Praça da República. “O Círio é um momento de união, de congregação, das pessoas se confraternizarem. Um momento em que as pessoas aqui de Belém reúnem seus familiares, que vêm de diferentes lugares. E o Banco da Amazônia tem uma família grande, uma família que se espalha por toda a região”, destaca o presidente da instituição, Luiz Lessa. Ele mesmo, que é natural do Rio de Janeiro, confessa que a cada ano, sente uma emoção diferente na procissão. “Como eu não sou daqui do Pará, fui impactado pelo Círio pela primeira vez há quatro anos, quando eu vim para cá. Ou seja, esse é o meu quarto Círio, mas é impressionante porque a cada ano a gente sente um impacto diferente quando vê a procissão, quando vê a imagem passando na Berlinda. Então, precisamos sempre apoiar, levar o Círio para todos os lugares”, destaca.

No fim, cada pessoa volta para casa com uma lembrança diferente. São histórias que não se encerram com a passagem da Berlinda nem cabem nos dias oficiais da festividade. E é nesse legado, feito de fé, gratidão, encontros e memórias compartilhadas, que o Círio se renova a cada ano.

Fonte: FSB Comunicação

Por: Ana Danin

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