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Clovis Vaz | Desta vez, do outro lado

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Nota da Redação : O portal PIRANOT preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de ideias. Ressaltamos, no entanto, que os textos de opinião publicados neste espaço são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião editorial do portal.

Quem trabalha com comunicação política se acostuma a pensar na cena antes de ela acontecer. Há o discurso que precisa encontrar as palavras certas, a entrevista que exige preparação, o acontecimento que pede uma resposta e a notícia que, em poucas horas, pode mudar o rumo de uma conversa. Há mais de 35 anos, meu trabalho está ligado a esse universo, em que os fatos são importantes, mas a maneira de apresentá-los também faz parte da vida pública.

Na sexta-feira, 16 de outubro, a situação será diferente. Estarei na Câmara Municipal de Piracicaba para receber o título de Piracicabanus Praeclarus, por iniciativa do vereador Fabio Silva. Em vez de acompanhar uma cerimônia pelo trabalho que ela exige ou pelo que representa na agenda política da cidade, serei um dos personagens daquela noite.

A mudança de posição tem sua curiosidade. Quem atua nos bastidores conhece o esforço necessário para que um evento aconteça, para que uma mensagem chegue ao público e para que uma instituição dê forma a uma decisão. Mas nem sempre pensa em como será estar do outro lado, diante de uma homenagem que leva seu próprio nome. Dessa vez, não haverá texto a preparar para outra pessoa nem acontecimento a acompanhar profissionalmente. Haverá uma sessão solene da qual participarei como homenageado.

A noite terá ainda um significado particular pela presença de dois velhos amigos. Vanderlei Luiz Dionísio receberá a Medalha de Mérito Legislativo, enquanto Evandro Souza Evangelista será agraciado com o título de Cidadão Piracicabano. São reconhecimentos distintos, destinados a pessoas com histórias próprias, que estarão reunidas na mesma cerimônia. Para mim, essa coincidência torna a ocasião ainda mais especial.

A vida profissional na política coloca pessoas muito diferentes em contato. Há encontros ligados a uma tarefa, a uma campanha, a um projeto ou a determinado momento da administração pública. Alguns vínculos acompanham essas circunstâncias, outros continuam existindo quando as funções mudam e os caminhos profissionais tomam direções diferentes. A convivência ao longo dos anos acaba produzindo relações que não dependem de uma agenda ou de um compromisso de trabalho.

Também por isso, uma sessão solene não se resume ao protocolo. Existe o ato institucional, com seus títulos e medalhas, e existe a experiência particular de cada pessoa que chega até ali. A Câmara registra publicamente uma homenagem, os presentes levam consigo suas próprias lembranças e a compreensão que construíram sobre aqueles que estão sendo reconhecidos.

Na comunicação, aprendi que cada acontecimento tem mais de uma perspectiva. A de quem organiza, a de quem participa, a de quem acompanha de fora. Nesta sexta-feira, terei a oportunidade de experimentar uma delas de maneira diferente, deixando por algumas horas a posição de quem trabalha com os acontecimentos para ocupar a de quem faz parte deles.

Não é uma inversão extraordinária. É apenas uma mudança de lugar, mas suficiente para tornar a noite diferente das tantas outras em que a política esteve no centro do meu trabalho. Desta vez, estarei lá sem a tarefa de contar o que aconteceu. Estarei lá para viver o acontecimento.

Clovis Vaz é Empresário de Comunicação e Consultor Político.

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